Boletins Informativos
Nº 004/2003
LIBERDADE, ALVO DA VIDA
(Edward Earle Purinton)
... Faze da tua vida um desafio cerrado a tudo quanto seja capaz de comprometer-te, e delicia-te, então, na sensação da independência. E guarda-te bem, porque, dia a dia, sobrepõem-se em torno da alma humana muitas camadas de influências externas. Toda inverdade deixa ali o seu estigma, e mesmo aquilo que mais se aproxima da verdade é quanto basta para refrigerar e imobilizar as forças da alma.
Liberdade é o poder consciente de se expressar a personalidade um pouco, muito, ou nada, consoante o desejo de quando, como e por que o fazer. É evidente que a liberdade é a antítese da libertinagem. Liberdade significa expansão; expansão significa exercício; exercício significa habilidade; habilidade significa trabalho; quão poucos, porém, dos que proclamam a liberdade, têm vontade de trabalhar! A indolência e a ostentação de quantos se ufanam de ser livres, realmente não passam de uma violência feita contra a tolerância e o tempo alheios.
A liberdade é a força que permite expressar todo o bem íntimo, que reside no caráter humano, sem a mescla dos erros superficiais. É a pureza do santo misturando-se com o poder do pecado; é o fogo do zelo e o equilíbrio do sábio; é o sonho do poeta, guiando o instrumento do obreiro; é a canção do trovador, destacando-se do ressoar monótono da bigorna do ferreiro.
Liberdade é santidade sem pompas, alegrias sem petulância, trabalho sem servilidade, divertimento sem loucura, cuidado sem preocupação, sistema sem escravidão, abandono sem vício, fervor sem fanatismo, delicadeza sem fragilidade, força sem violência, coragem sem impetuosidade, doçura sem insipidez, argúcia sem egoísmo, amor sem cegueira, devoção sem carolice, vida sem limitações.
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