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Boletins Informativos
Nº 028/2004
“A Coragem da Verdade".
(Jorge Guilherme Hegel)
Consagrei toda a minha vida à ciência e hoje me apraz o encontrar-me em posição de poder cooperar, em alto grau e num vasto campo de ação, para que se difunda e excite o interesse pela cultura científica superior, bem assim ajudar-vos a desenvolvê-la em vós mesmos.
Espero que venha a merecer de vós a necessária confiança. E de vós nada posso exigir senão isto: tende confiança na ciência e em vós próprios.
A coragem da verdade, a fé no poder do espírito é a primeira condição da filosofia. Posto que seja lícito julgar-se alguém digno do que existe de mais elevado, não deverá julgar com demasiada soberbia da grandeza e poderio de seu espírito; e com essa fé nada haverá tão áspero e refratário a ponto de impedir que se revele seu segredo. A essência do Universo, cujo princípio parece inexcrutável, deixa-se render pela força do desejo de saber, pela ousadia de conhecer: ante esse desejo e esta ousadia aquela essência se mostra, para que sua riqueza seja desfrutada em toda a sua profundidade.
"O Alento da Verdade".
(Romain Rolland)
Ao fim desta história trágica – a história de Miguel Ângelo – sinto-me atormentado por um crepúsculo. Pergunto-me se em desejando dar aos que sofrem, companheiros de sofrimento, para que se amparassem mutuamente, não fiz mais que juntar o sofrimento destes aos daquele.
Porventura terei eu ocultado com um véu o abismo de tristeza que existe nos heróis dos quais, se me afigura, mostrei somente o lado heróico?
Não! A verdade! Não prometi a meus amigos a felicidade à custa da mentira, a felicidade apesar de tudo, a felicidade a qualquer preço.
Prometi-lhes a verdade, embora com a perda da felicidade, a verdade que cinzela as almas eternas. O sopro da verdade é talvez amargo, mas ao mesmo tempo doce; é turvo e é limpo; banhemos nesse alento os nossos corações anêmicos.
As almas grandiosas são como os altos cimos. Açoita-os o vento, envolvem-nos as nuvens; mas ali se respira melhor e com mais energia que em outros lugares. Ali tem o ar uma pureza que alimpa as másculas do coração; e quando as nuvens se dissipam, a partir desse instante, domina-se o gênero humano.
Assim foi essa montanha colossal que se elevava sobre a Itália do Renascimento e cujo perfil atormentado vemos na distância perder-se no céu.
Não pretendo que a maioria dos homens viva nessas alturas; mas que pelo menos uma vez por ano nelas subam em peregrinação; para que se renove o alento de seus pulmões e se alimpe o sangue de suas veias.
Lá em cima eles se sentirão mais perto do Eterno. E depois voltarão às planuras da vida com o coração retemperado para as lutas de todos os dias.
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