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Boletins Informativos
Nº 026/2004
“Ser Justo”
(John Ruskin – Sociologista inglês – 1819 – 1900)
O verdadeiro trabalho, o verdadeiro sacrifício é esse, o de ser justo; no entanto é o último a que nos inclinamos! Tudo menos isso! toda a caridade que desejeis, mas nada de justiça; e direis: "a caridade é mais santa que a justiça". Sim, é mais santa, é a cúspide mesma da justiça, é o templo do qual a justiça é base.
Mas não podereis construir a abóbada sem base; não edificareis com justiça porque não podeis edificar sem a justiça.
É preciso que edifiques sobre a justiça, pela razão de que não tereis ao começo, a caridade de que precisais para construir. Esta é a última recompensa do bom trabalho.
Sêde justos para com vossos irmãos (podeis ser justos, ameis a eles ou não) e concluireis por amá-los. Sêde injustos para com eles porque não os amais e acabareis por odiá-los.
"Fazer o Bem"
(Rafael Altamira - Historiador espanhol - 1866)
Tenho ouvido amiúde palavras de desengano de pessoas que dedicam a maior parte de seu tempo a trabalhos de regeneração social. Tropeçam a cada passo com a ignorância e com a dificuldade de convencer a maioria. Desesperam-se porque obtêm poucos e desvalidos resultados. E diante de tantos tão elevados obstáculos, muitos se desanimam e abandonam a luta...
Eu também tive e tenho desalentos, e com muita freqüência, fui ferido pelos meus tropeços. Mas a minha experiência própria - e a História, que é a experiência dos demais - me ensinam que tudo isso é muito humano, que sempre assim sucedeu, que todos os reformadores, grandes e pequenos, têm lutado com os mesmos inconvenientes e apesar disso a Humanidade progrediu grandemente.
Quando cheguei a essa compreensão comecei a ser paciente, a esperar e a não encarar como pequena a mais simples vantagem, o mais simples triunfo, a mais comezinha conquista, posto que para conseguí-los o esforço tenha sido desmedido e à primeira vista, merecedor de maiores resultados.
Aprendi que os grandes feitos sociais assim se fazem, aos poucos, lentamente, passo a passo, e que nada existe de depreciável no caminhar das idéias. Compreendi que o essencial na propaganda é o ato de fé que realizamos todos os dias, acreditando que aquilo que pregamos e hoje desacreditam, será amanhã o credo da maioria, o credo de toda a Humanidade, e que essa fé no futuro de nossas idéias se vai aos poucos comunicando aos outros e se constitui na força das doutrinas e dos partidos.
Isso, com relação às impaciências e aos desalentos quando da aparentemente pequena eficácia da propaganda. Quanto à ingratidão para com nós mesmos, daqueles a quem desejamos salvar, não somente não nos deve estranhar, senão que devemos contar com elas, como coisa inevitável. Aquele que sobrepõe ao ideal o seu amor-próprio quando em choque com a ingratidão - quase sempre filha da ignorância que da malícia - não deve continuar em seu caminho e nem pretender tornar-se porta-estandarte de nenhuma reforma.
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