Boletins Informativos
Nº 002/2003
OS HOMENS "SIM" E OS HOMENS "NÃO"
(Caetano Coll Y Toste - Escritor Porto Riquenho - 1850/1930)
As coisas governam aos homens mais do que os homens às coisas; mas o preconceito da negação não é mais que o pessimismo dos irresolutos. Esses homens foram os que se aterrorizaram diante do imenso oceano que chamaram “mar tenebroso”; e acovardados ante as ondas que se enroscam como serpentes e parecem morder, retrocederam e lhes chamaram “abismo que separa”. Mas vieram os homens de boa vontade, os caráteres firmes, os homens do “sim”, e surgiu o tronco flutuante, o madeiro ôco, a vela, o leme, a bússola e o barco a vapor; pontes movediças que levam a boa-nova do progresso a todos os povos, engrandecendo seu comércio e sua agricultura.
Os homens pusilânimes, os homens negativos, os timoratos, os abúlicos, os homens “não” viram as geleiras, os bosques, os altos montes e os chamaram “fronteiras”, e os consideraram como barreiras intransponíveis entre os povos, e nunca pensaram e nunca tentaram transpô-las. Mas apareceram os homens de fôlego, os homens positivos, os homens de vontade enérgica, os homens “sim” e domaram o cavalo, amansaram o boi, inventaram a carreta e o carro, e a estrada de ferro, e a montanha veio abaixo para exterminar o abismo; os altos cumes se transformaram em hortos, e se perfurou o monte e se fez o túnel, e se lançou aos ares a ponte metálica, o apito atordoador da locomotiva despertou aqueles que se tinham adormecido no enervante sono do pessimismo.
E assim aconteceram os progressos humanos. Nenhum homem é completo em sua obra. Necessita que outros a venham completar. E esses são os homens “sim”. Nada, absolutamente nada sai completo da mente humana como Minerva da cabeça de Júpiter, perfeitíssima...
Por isso o homem isolado sucumbe, e sucumbe a família isolada como também sucumbe o povo que se isolou. É preciso fraternidade intelectual entre os homens para o progresso da humanidade. E os povos que não concorrem para essa fraternidade a fim de avançar, perecem irremissivelmente petrificados, quando o sino da civilização e da expansão toca a rebate.
O “sim” sempre se imporá ao “não”, porque o “não” é infecundo, é estéril. Os homens de enérgica vontade, os de argila de chefe, de guia, hão de sempre dominar os trêmulos, os covardes. Os espíritos poderosos, os do “justum et tenacem” de Horácio, são os que sobem aos altos píncaros e os que cingem os louros; porque em todos os tempos e lugares os homens “sim” levarão de vencida os homens “não”.
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